Flávio José cancelou 15 shows na Bahia após recomendação do MP sobre limitação de cachê. Gusttavo Lima lidera os maiores valores no estado: R$ 1,1 milhão por apresentação.
O pagamento de cachês a artistas sertanejos nas festas juninas voltou a provocar críticas de músicos ligados ao forró. O centro do debate é a diferença entre os valores destinados à música sertaneja e aqueles pagos a representantes do gênero que define as celebrações de São João no Nordeste.
O cantor Flávio José cancelou cerca de 15 apresentações na Bahia após divergências com prefeituras sobre o valor de seu cachê. O artista cobra R$ 350 mil por show em 2026 — um aumento de 40% em relação ao ano anterior —, mas o Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou que os contratos não ultrapassassem os valores de 2025 acrescidos da inflação.
“Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró, como sertanejos, ganham rios de dinheiro”, declarou Flávio José em publicação no Instagram.
Os maiores cachês na Bahia
Levantamento com base no portal de transparência do MP-BA, que monitora contratos firmados por 137 prefeituras baianas, mostra que nenhum dos dez maiores cachês registrados pertence a um representante do forró tradicional. Os valores mais altos são:
- Gusttavo Lima: R$ 1,1 milhão
- Wesley Safadão: R$ 1 milhão
- Luan Santana, Victor e Léo e João Gomes: R$ 750 mil cada
- Nattan, Ana Castela, Zé Neto e Cristiano, Maiara e Maraisa, Leonardo, Bruno e Marrone: valores próximos
Dos artistas listados entre os maiores cachês, só três são nordestinos. Wesley Safadão e Nattan são identificados com o forró estilizado, e João Gomes com carreira contruída no gênero.
Em contraste, lendas nordestinas como Alceu Valença, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro receberão até R$ 250 mil por apresentação na Bahia — valor mais de quatro vezes menor que os maiores cachês registrados.
O MP-BA mantém um portal de transparência sobre os festejos juninos desde 2022. Segundo o órgão, a média dos contratos passou de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil em quatro anos. O aumento é atribuído, entre outros fatores, ao crescimento das emendas parlamentares destinadas às festas. As recomendações emitidas resultaram em economia de cerca de R$ 19 milhões nos cofres públicos.
Reações em defesa do forró
O cantor Santanna criticou a situação nas redes sociais: “A cultura popular nordestina está sendo vilipendiada depois desse ataque ao nosso maior nome do forró.”
O cantor e compositor Flávio Leandro também se posicionou, defendendo o cachê de Flávio José e chamando atenção para a realidade de artistas locais: “Existe a farra dos cachês, sim. É clara, nítida; mas tem uma lista de coisas inconclusas e a maior de todas elas é o piso dos cachês de artistas de bairro, dos trios de forró, de Zé, de Maria, de Pedro e de Chiquinha, que se submetem a cachês humilhantes”.
Dados levantados na Bahia indicam a existência de 201 cachês inferiores a R$ 1.000 pagos a artistas locais, incluindo apresentações contratadas por apenas R$ 200.
Fonte: Vagalume

