Cinema – Resenha: Nosferatu

Resenhado por Douglas Campanhol

Título: Nosferatu
Direção: Robert Eggers
Elenco Principal: Bill Skarsgård (It: A Coisa), Willem Dafoe (Homem-Aranha, O Farol), Lily-Rose Depp (The King), Nicholas Hoult (Mad Max: Estrada da Fúria), Aaron Taylor-Johnson (Vingadores: A Era de Ultron), Emma Corrin (The Crown), Simon McBurney (O Espião que Sabia Demais)
Duração: 2h35min Gênero: Terror / Drama
Distribuição: Focus Features Ano de Lançamento: 2025

“Quando o silêncio grita mais alto que as palavras, Nosferatu ressurge para cravar seu lugar eterno no imaginário do terror.”

RESENHA

O cinema de 2025 começou de maneira marcante com o aguardado lançamento de Nosferatu, dirigido por Robert Eggers, conhecido por obras como O Farol e A Bruxa. A releitura do clássico do expressionismo alemão de 1922 não apenas traz uma narrativa atualizada, mas também uma profundidade visual e emocional que é um presente para os cinéfilos.

Bill Skarsgård, famoso por interpretar o palhaço Pennywise em It: A Coisa, entrega uma performance assombrosa como Nosferatu. Sua caracterização é impecável, desde os gestos meticulosos até a voz perturbadora, que ecoa no silêncio opressivo do filme. Skarsgård comprova mais uma vez ser um dos maiores atores de sua geração para papéis tão densos e icônicos.

Willem Dafoe, o eterno Duende Verde de Homem-Aranha, dá vida ao professor Thomas, um papel que mescla brilhantismo intelectual com uma pitada de loucura. Sua habilidade de mergulhar em personagens complexos é evidente em cada cena. Lily-Rose Depp, que encantou em The King, surpreende como Ellen, a jovem atormentada por visões que preveem a chegada do conde Orlok. Ela traz uma vulnerabilidade tocante à trama.

Nicholas Hoult (Mad Max: Estrada da Fúria) e Aaron Taylor-Johnson (Vingadores: A Era de Ultron) complementam o elenco com atuações que equilibram a tensão do filme, enquanto Emma Corrin (The Crown) dá um toque melancólico à trama como a enigmática Annette.

O filme é uma obra de arte em termos de cinematografia. Os cenários góticos, cuidadosamente recriados, e os figurinos detalhados transportam o espectador para uma Europa do século XIX. As sombras e a iluminação criam uma atmosfera inquietante, enquanto o uso do silêncio amplifica o terror psicológico.

Entretanto, Nosferatu não é um filme para todos os públicos. Com suas quase três horas de duração, diálogos profundos e ritmo deliberadamente lento, ele exige paciência e atenção. Para aqueles que buscam apenas um entretenimento rápido, pode ser um desafio. Porém, para os amantes de cinema, especialmente do gênero de terror, é uma experiência única e inesquecível.

Quem é Nosferatu?

Nosferatu é um dos vampiros mais icônicos da história do cinema, inspirado no Conde Drácula de Bram Stoker. Criado em 1922 pelo diretor F.W. Murnau, o filme Nosferatu, eine Symphonie des Grauens é considerado um marco do expressionismo alemão. Diferente do Drácula aristocrático e sedutor, Nosferatu, ou Conde Orlok, é uma figura grotesca, cadavérica e mais próxima de um monstro do que de um humano.

O termo “Nosferatu” foi popularizado pela escritora Emily Gerard no final do século XIX, sendo associado ao folclore sobre vampiros na Europa Oriental. Na adaptação de 1922, devido a problemas de direitos autorais com o romance Drácula, os nomes e alguns elementos foram alterados, mas o impacto cultural do filme foi tão grande que Nosferatu se tornou uma lenda por si só.

Por Que Nosferatu é Relevante Hoje?

Além de ser uma homenagem ao cinema clássico, Nosferatu de 2025 serve como uma releitura moderna do mito do vampiro. A obra explora temas como isolamento, obsessão e a decadência humana, enquanto utiliza técnicas de filmagem contemporâneas para enriquecer a narrativa.

A direção de Robert Eggers é um convite à reflexão sobre o medo, não apenas como uma emoção, mas como uma experiência estética. A escolha de um elenco tão talentoso e diversificado reforça a universalidade da história.

Conclusão

Nosferatu é uma experiência cinematográfica densa e visualmente deslumbrante, que celebra as raízes do terror enquanto abraça o potencial de inovação do cinema moderno. Com atuações memoráveis e uma atmosfera que mistura o sublime ao aterrador, o filme solidifica seu lugar como um marco do gênero em 2025.

Nota: ★★★★☆

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