Atendimentos por pancreatite na região de Campinas mais que triplicam e batem recorde em 2025

Brasil registra seis mortes suspeitas por pancreatite associadas a canetas emagrecedoras

Os atendimentos médicos por pancreatite, doença inflamatória do pâncreas, mais do que triplicaram na região de Campinas (SP) nos últimos dois anos. De 60 procedimentos em 2023, passou para 205 em 2024 e chegou a 236 no ano passado.

Os dados foram enviados pelo Governo Estadual a pedido do g1 e consideram os municípios que fazem parte do Departamento Regional de Saúde VII. O índice registrado em 2025 é o maior da série histórica

O levantamento aponta que a maioria das pessoas atendidas ao longo de todo o período eram do gênero feminino. Em 2025, elas representaram 61,2% do total de pacientes . Na análise por faixa etária, a maior parte dos atendimentos ocorreu entre mulheres de 30 a 34 anos, com 52, seguidas pelo grupo de 70 a 74 anos, com 29 casos.

Entre o público masculino, os procedimentos predominaram na faixa dos 45 a 49 anos, com 21, e dos 75 ou mais, com 17. Também houve aumento nas internações por pancreatite. Em 2025 foram 798, cerca de 6% a mais do que no ano anterior.

O número é o segundo maior da série histórica, perdendo apenas para 2020, quando foram 804. A média, de 2018 a 2024, foi de 746 internações ao ano. O aumento ocorre em meio à popularização das canetas emagrecedoras e, para o gastroenterologista Jair Simões Neto, professor de clínica cirúrgica da PUC-Campinas, pode existir relação com o consumo sem prescrição ou acompanhamento desse tipo de medicamento, embora ainda não seja possível fazer essa relação direta.

Caneta emagrecedora é o nome popular para uma classe de medicamentos injetáveis que incluem a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Entre os nomes comerciais mais conhecidos estão Ozempic e Wegovy (semaglutida), Saxenda e Victoza (liraglutida) e Mounjaro (tirzepatida).

Simões diz que a complicação por uso do remédio existe e está prevista em bula, mas, quando a prescrição é feita de forma adequada por profissionais médicos devidamente habilitados, esse risco é mínimo. Ele destaca as substâncias têm se mostrado seguras e é necessário que a recomendação de uso seja baseada em diferentes fatores sobre a saúde do paciente. Por fim, o especialista pontua que, no tratamento da obesidade, essas medicações devem ser vistas como aliadas, e não como uma solução única. “Será que você tem todos os critérios para usar? A grande discussão hoje sobre essa medicação tem a ver com a obesidade. Mas, antes de usá-la, você já mudou seu comportamento? Mudou a alimentação? Está fazendo atividade física?”.

FONTE G1

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