Resenhado por Douglas Campanhol

Título: MMA – Meu Melhor Amigo
Direção: José Alvarenga Jr.
Elenco: Marcos Mion, Antonio Fagundes, Andreia Horta
Duração: 2h 00min / Gênero: Ação, Comédia dramática
Distribuição: Disney Pictures
Com socos, chutes e um roteiro de fazer chorar, MMA – Meu Melhor Amigo luta por um lugar no coração do público.
Resenha
MMA – Meu Melhor Amigo tem um roteiro que brilha como poucos. A história de Max (Marcos Mion), um pai que tenta se reconectar com seu filho autista, Bruno (Gui Tavares), emociona e prende do começo ao fim. É um drama familiar que mistura o universo das artes marciais com questões sensíveis sobre inclusão, aceitação e amor.
Gui Tavares, que interpreta Bruno, é o grande destaque do filme. Com uma atuação autêntica e cativante, ele entrega um desempenho que faz o público acreditar em cada momento vivido por seu personagem. Antônio Fagundes, como o treinador Gus, traz a experiência e o carisma que já são sua marca registrada.
Marcos Mion, por outro lado, deixa a desejar. Embora esteja claramente comprometido com o papel, suas expressões são limitadas, o que enfraquece as cenas mais emocionantes. Ainda assim, o roteiro é tão forte que supera as falhas na atuação, fazendo com que as emoções cheguem ao espectador, mesmo com algumas limitações no elenco.
As cenas de luta são um ponto baixo do filme. Com coreografias que parecem saídas de Rocky III, os movimentos são mecânicos e pouco impactantes. O vilão Victor “O Animal” é uma caricatura exagerada de Clubber Lang, com direito a rosnados e caretas, mas sem profundidade ou carisma. Essa falta de capricho nas cenas de ação tira um pouco do brilho do filme, que poderia ser ainda mais grandioso.
No entanto, MMA – Meu Melhor Amigo compensa com uma mensagem poderosa e um coração gigante. A relação entre Max e Bruno é o centro emocional da história, e o filme acerta ao mostrar como a conexão e o respeito podem transformar vidas.
O Autismo no Filme e na Vida Real
A representatividade no cinema é fundamental, e MMA – Meu Melhor Amigo dá um passo importante ao colocar Gui Tavares, um ator autista, em um papel tão central. Essa escolha não só enriquece o filme, como também dá visibilidade à realidade de muitas famílias. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição complexa, que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, mas que também revela habilidades únicas em muitas pessoas.
Cada indivíduo no espectro autista é diferente. Algumas pessoas podem ser altamente verbais e comunicativas, enquanto outras enfrentam desafios maiores na interação social. O filme aborda isso de forma sensível, mostrando como a paciência, o respeito e a empatia podem ajudar na construção de relacionamentos significativos.
É importante destacar que a inclusão vai além das telas. Pais, educadores e a sociedade como um todo têm um papel crucial na criação de ambientes acolhedores para pessoas autistas. Atividades como artes marciais, mostradas no filme, têm benefícios comprovados para o desenvolvimento de habilidades motoras, emocionais e sociais em crianças e jovens com TEA. A prática oferece um ambiente estruturado e repetitivo, ideal para promover confiança e bem-estar.
Gui Tavares, o jovem ator que interpreta Bruno, é um exemplo inspirador. Ele demonstra que o autismo não é uma limitação, mas sim uma característica que, com suporte e oportunidade, pode brilhar de forma única. Sua atuação é um lembrete poderoso de que a inclusão é um caminho para transformar a sociedade.
Nota: ★★★☆☆
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