Cinema – Resenha: “O Auto da Compadecida 2”

Resenhado por Douglas Campanhol

“Uma volta triunfal ao sertão brasileiro” 

Após mais de duas décadas desde o lançamento do aclamado O Auto da Compadecida (2000), o cinema nacional nos brinda com a aguardada continuação dessa história tão querida pelos brasileiros. O Auto da Compadecida 2 chega às telonas carregado de expectativas, e, ao assistir, é impossível não se sentir envolvido por essa combinação de humor afiado, crítica social e emoção, que consolidaram a obra original como um marco do cinema brasileiro.

O retorno dos personagens icônicos João Grilo (vivido de forma brilhante por Matheus Nachtergaele) e Chicó (marcado pela interpretação única de Selton Mello) é, sem dúvida, o grande atrativo do filme. A química entre os dois permanece intacta, entregando diálogos hilários e cenas que vão do riso ao profundo impacto emocional em questão de minutos. Matheus Nachtergaele, como sempre, domina a arte do cômico com maestria, enquanto Selton Mello adiciona camadas de profundidade ao personagem Chicó, equilibrando humor e humanidade.

A continuação não apenas revisita a estética e os temas do filme original, mas também atualiza a narrativa com novos personagens e subtramas, enriquecendo ainda mais o universo criado por Ariano Suassuna. Os diálogos continuam sendo um espetáculo à parte: repletos de inteligência, ironia e referências à cultura nordestina, eles são a alma do filme. Cada fala parece milimetricamente temperada com o humor característico e a crítica social que já conhecemos e amamos.

Contudo, nem tudo é perfeito. O uso de CGI, necessário para algumas cenas, deixou a desejar em certos momentos. Embora compreensível dado o orçamento das produções nacionais, esses pequenos deslizes técnicos podem tirar o espectador da imersão. Ainda assim, é importante ressaltar que o roteiro e as atuações compensam com sobras qualquer falha técnica.

Outro ponto que merece destaque é a direção de arte. As paisagens áridas do sertão são capturadas de forma magistral, servindo de pano de fundo para os conflitos e aventuras de João Grilo e Chicó. A trilha sonora, por sua vez, resgata a essência da obra original, com músicas que dialogam perfeitamente com o tom da narrativa.

Por fim, O Auto da Compadecida 2 é um presente para o público brasileiro, um lembrete de que o nosso cinema é capaz de emocionar, divertir e provocar reflexões profundas. É um filme que fecha 2024 com chave de ouro, exaltando a cultura nacional e mostrando que nossas histórias têm força para brilhar, mesmo diante de desafios técnicos e orçamentários.

Nota: ★★★★☆ 

Um filme que merece ser celebrado por sua coragem de revisitar um clássico e, ainda assim, entregar algo novo e relevante. Que venham mais histórias do sertão!

Assista o Trailer:

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